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Arreliada … mas feliz :)

12 de Novembro de 2014

1Rule

Nos últimos tempos não tenho conseguido ir muitas vezes levar e buscar os miúdos à escola, é uma frenética confusão que compensa tanto quanto o bem que lhes faz. Hoje consegui, ou tive que conseguir porque não tinha outra solução… pelo menos que me soubesse tão bem! :)

E lá estavam eles à minha espera, (penso que a julgar pelos últimos tempos, com pouca esperança de que fosse mesmo eu), abraçaram-me com o mais apertado abraço e a Leonor entrou em excitamento.

Entrámos no carro e …  começa a guerra, não fossem eles crianças estoiradas de um dia de escola … a querem transformar-me numa Mãe à beira de um ataque de nervos. Mas eu hoje estava tão contente de os ir buscar e levá-los para casa com tempo para conversarmos, brincarmos e simplesmente estarmos juntos… que estava com muita paciência para gerir aquelas guerras e mediar as chamadas de atenção de parte a parte.

No banco de trás o clima era outro, não sei bem se me queriam mostrar o quanto tenho estado ausente desta rotina de fim de dia, ou se o objectivo era mesmo que saltasse pela janela do carro em andamento e os deixasse em piloto automático…

Mas eu continuava paciente, “vá lá Francisco não faças isso à tua irmã…”, ” Leonor não impliques com ele!”, “sentem-se, encostem-se  atrás e ponham os cintos com deve ser…”, “tirem os pés das minhas costas”, “vá lá não se zanguem!”, ”vá lá…”, “então a Mãe hoje veio buscar-vos e é assim que vocês se portam…” .

Enfim, resumidamente a partir de certo ponto acho que basicamente era como se eu não estivesse ali e mesmo estando surpreendentemente paciente e bem disposta … o meu limite chegou!!

“Basta meninos!” num tom um bocadinho mais eficiente, ou melhor, suficiente para se calarem e eu poder continuar o raspanete, agora com o choro da Leonor como barulho de fundo (muito melhor), “parece impossível o que vocês estão a fazer hoje, nem parece que já são crescidos… blá, blá blá” e terminei com ” agora nem mais uma palavra! … vocês adoram arreliar-me!”

?.’?!”?#?%?!.;’!?

Fez-se silêncio de tanta estupefacção, a Leonor parou de chorar e abriu os olhos o mais que pôde, na duvida se eu teria dito algum palavrão, eu enervada por não ter conseguido fazer a coisa de outra forma, mas furiosa com a cena daqueles dois, também não consegui perceber onde terei ido buscar esta estranha palavra (não sei porquê remeteu-me para a minha infância) e no meio disto o despreocupado Francisco, de sobrancelha franzida, quebra o silêncio, desobediente, e diz:

“Mãe desculpe, só para eu não me esquecer, quando chegarmos a casa a Mãe lembra-me para eu ir ver arreliar ao dicionário?”

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